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Resenha de "Bambi: A História de Uma Vida na Floresta"

  • irineufdaniel
  • 2 de nov.
  • 6 min de leitura


Bambi: A História de Uma Vida na Floresta

Você com certeza já ouviu falar de Bambi, um filme infantil muito bonito que fala sobre Bambi, um animal da floresta que tem amigos coelhos, gambás e corujas. É bem provável que você tem sido traumatizado com uma certa morte do filme, mas gostou da atmosfera bonita e a história de crescimento e amadurecimento dos personagens. Se você passou por tudo isso, somos bem parecidos.

Recentemente eu descobri que o filme é, na verdade, baseado em um livro escrito em 1923 pelo autor austríaco Felix Salten. Uma curiosidade interessante é que o autor era judeu e seu livro foi proibido em vários países por causa do regime nazista da época. Após descobrir essas informações, fiquei curioso sobre a história e fui ler. Portanto, farei agora uma resenha de Bambi: A História de Uma Vida na Floresta.

Para começar, se você espera uma história bonita, otimista e feliz (na maior parte) como no filme, talvez você fique decepcionado com esse livro. Na verdade, ele não é uma história simples e infantil, é um livro sombrio, altamente filosófico e cheio de mortes reais e surpreendente detalhadas. O livro fala sobre o ciclo da vida, sobre os perigos da vida animal e sobre o efeito dos humanos na vida animal (esse efeito nunca é descrito como algo bom e os animais têm um grande pavor dos humanos).

A história se inicia com o nascimento de Bambi e com o jovem animal aprendendo mais sobre a floresta onde vive. Ele está sempre perto de sua mãe e, em muitos aspectos se comprta como uma criança normal, cheio de curiosidade e animação pelo mundo ao seu redor. Bambi tem dois primos que são irmãos gêmeos, uma corça chamada Faline e seu irmão Gobo. Logo no início do livro a mãe do Bambi fala que há um grande perigo por perto e eles precisam ser muito cuidadosos quando vão na campina. Apesar de eles adorarem ir lá, a mãe de Bambi fala que eles só podem ir em horários específicos e que, se algo acontecer ele deve correr e deixá-la para trás sem pensar duas vezes.

Um dia eles veem "os príncipes" que são os animais machos da mesma espécie quando crescem. Eles são bonitos, nobres e seus chifres são chamados de coroas por todos os animais. A mãe de Bambi diz para ele que um dia ele se tornará daquele jeito, mas tudo depende de ele ser inteligente e conseguir se manter vivo até lá. As estações vão passando, o primo de Bambi, Gobo, cresce sendo alguém fisicamente fraco, mas Bambi gosta muito dele e os três brincam muito. Há algumas vezes que Bambi vislumbra os humanos. Eles são seres aterrorizantes tratados como algum tipo de divindade (cruel) pelos animais. Todos os animais conversam sobre o que é que eles conseguem fazer que cria um som de trovão e mata os outros animais com facilidade. Na verdade, todos os animais temem os humanos como uma forma de vida superior e imparável.

Na floresta existe um "Velho Príncipe" o mais velho e sábio de todas as corças. Aliás, não só entre as corças, ele é respeitado e reverenciado por todos os animais. Ele não anda pelos mesmos caminhos que os outros, nunca fala com ninguém e é um presença misteriosa na floresta. O velho Príncipe fala de vez em quando com Bambi (o que já é muito mais do que com os outros) e Bambi tem um grande respeito e admiração pro ele.

Um dia, vários caçadores entram na floresta e é um dia de grande terror e medo para todos os animais, eles correm, fogem e gritam, mas vários dos animais que conhecíamos até aquele ponto morrem de formas tristíssimos (principalmente os coelhos). A mãe de Bambi fica para trás e nunca mais é vista. O primo de Bambi cai no chão, incapaz de continuar correndo e Bambi se despede dele sentindo que nunca mais o verá. Assim, Bambi fica sozinho na floresta e acaba brigando com outros machos da sua espécie. Ele cresce e se torna forte, sendo capaz de derrotar os outros machos e começa um romance com Faline. Bambi vê o Velho Principe com mais frequência e ele o ensina várias coisas e como sobreviver as armadilhas dos humanos.

A propósito, a palavra "humano" nunca é dita e a raça humana é referenciada apenas como "Ele".

Um dia, Gobo retorna dizendo que os humanos o levaram para casa e o trataram muito bem. Gobo tem uma coleira agora e os animais ficam muito curiosos para ouvir a história de seu cativeiro pelos humanos, mas ele garante que os humanos são legais e muito bondosos com quem é amigo deles. Os humanos conseguem controlar o calor e espantar o frio e conseguir comida não é um problema para eles. Infelizmente, Gobo não consegue se adaptar a vida na floresta outra vez e fica cada vez mais arrogante, dizendo que "Ele" nunca o machucaria. Até que um dia, Gobo corre na direção dos humanos e volta tendo levado um tiro. Gobo fala para Bambi "Ele não me reconheceu" e morre.

Mais para o final do livro Bambi também leva um tiro, mas o Velho Príncipe o ajuda a fugir dos cachorros e escapar dos humanos. É nesse momento que o Velho Príncipe diz que é o pai de Bambi. Bambi se recupera e se torna cada vez mais como seu pai, os dois caminham juntos isolados do resto da floresta e Bambi vê como a vida na floresta é implacável, assim como os humanos. Outros animais caçam e matam uns aos outros por comida o tempo todo, é algo comum, a vida é perigosa e a necessidade de se manter alerta nunca termina. Bambi percebe isso e se isola cada vez mais. Em um capítulo, um cachorro consegue ferir uma raposa e ela implora para o cachorro não levar o humano até ela, mas o cachorro diz que o humano é seu mestre e todos os animais da floresta o chamam de traidor. Nesse momento o cachorro diz que todos os animais estão ao lado dos humanos, o cavalo, o boi, os gatos e apenas os animais da floresta não entendem isso. O cachorro mata a raposa e a leva para o humano.

O Velho Príncipe, um dia leva Bambi para ver um humano morto na flroesta e diz que "Ele" não é uma divindade, é apenas um ser vivo como outros na floresta e que está sujeito a um Ser Superior, assim como todos.

Um certo capítulo é extremamente profundo e conta a história de duas folhas conversando com a aproximação do inverno. O fim está chegando, só sobraram as duas naquele galho e elas sabem que o final está próximo. Elas não conseguem ver o chão, então conversam sobre o que existe "lá embaixo" para onde as outras folhas foram e dizem que ninguém nunca retornou. Uma delas etá triste e diz que já não é mais verde como antigamente. A outro folha a consola e fala coisas gentis, até que um vento passa e leva a folha preocupada para longe.

No fim do livro, Bambi é agora o Velho Príncipe e teve dois filhos com Faline. Ele trata o seu filho como o Velho Príncipe o tratou e vai embora para dentro da floresta.


Sendo bem sincero, não gostei muito do livro, mas não acho que seja o tipo de livro focado em mostrar uma história exatamente. Me parece que o que o autor mais queria era convidar o leitor para discussões mais filosoficas sobre a vida, sobre o ciclo das estaçãos e da própria vida e sobre os efeitos dos humanos na vida selvagem. No capítulo das duas folhas eu fiquei triste e pensei "é sério que fiquei triste por uma folha ter caído de uma árvore?" Mas acho que esse tipo de pensamento é mais ou menos o que o autor queria alcançar com sua história, nos convidar a pensar em coisas que geralmente não pensamos e em aspectos da vida que são comuns e normais, mas que poderíamos ver sob outra perspectiva.

O livro é tido como "infantil" ou "infantojuvenil", mas acho que a leitura é pesada e deprimente demais para crinaças.

Mas quais são suas opiniões? Já leu o livro ou viu o filme?

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Daniel F. Irineu.

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